quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A Crise é uma farsa

A preocupação com o trabalho é a maior culpada pela minha insonia. Esta noite, após uma conversa com o chefe, fiquei horas pensando. Falávamos em crise. A crise que assola o mundo parece que não atingiu o Brasil. Não atinge porque temos "expert's" em marketing que dão amparo aos nossos governantes. Tem um poder imensurável de mascarar os fatos. A crise está aí e nós estamos mais do que nunca embutidos nela.
Temos o defeito de mascarar a crise quando isto deveria ser exatamente o contrário. A crise é a melhor coisa que pode acontecer a pessoas e países. Ela e somente ela traz o progresso e a prosperidade. Nas pessoas, por exemplo: qual casamento sólido que não teve uma crise sequer? Qual faculdade bem cursada que não teve seu momento de crise, de dúvida e de insegurança?
Para o país a crise trás criatividade. Esta por sua vez, trás evolução, que trás progresso. O progresso ampara todo o desenvolvimento que sustenta o país.
Defino que a palavra chave do resultado de uma crise seja a CRIATIVIDADE. Por que os Brasileiros são tão criativos? É simples. Faz 509 anos que estamos em crise. A criatividade nasce desta angústia por progresso, assim como o dia nasce da escuridão, completando um ciclo vicioso o qual não é percebido por nós. Mas ele está aí.
Da criatividade colhemos os frutos da invenção, da descoberta e do progresso.
Temos que largar de mão do respeito aos problemas e encará-los com uma arma chamada "solução".
Já escrevi aqui sobre isto. De nada vale o TALENTO sem a COMPETÊNCIA. Temos um talento imenso pra detectar PROBLEMAS e temos pouca COMPETÊNCIA para solucioná-los, apesar da nossa vasta experiência de mais de 500 anos em crise. A lamuria faz parte do problema e a solução é consequência do problema. São duas coisas distintas. Uma delas merece nossa atenção. A outra deve passar despercebida aos nossos olhos.
A crise é uma grande farsa. O grande problema é a incompetência. Crise é o maior estimulante das nações. Temos o exemplo da Alemanha e do Japão e também dos EUA. Ambos sucumbiram devido a guerra e logo emergiram como modelo de nação.
Salve a crise que assola nosso país. Largue mão da preguiça para encontrar a solução. Se com toda esta crise estamos onde estamos, imagine onde estaríamos sem ela.
"Sem crise não há desafios".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O tempo voa



Esta noite eu sonhei com uma imagem bastante viva na minha mente. Uma imagem de um início de inverno. A árvore lá fora, sem folhas e com os galhos podados. A janela, que tempos depois descobri ser pequena, era gigantesca e alta. Desproporcional na altura. Tempo depois fui me dar conta de que a janela tinha a altura certa. Eu é que era pequeno demais.
O tempo se movia com velocidade diferente do que se move hoje. Batia em outro compasso e o pensamento estava sempre no mesmo lugar. Isto foi tão forte que o pensamento por vezes continua naquele lugar. Saio do tempo que vivo e retorno a esta época. Dá uma grande vontade de retornar e sentir aquele frio, aquele cheiro da minha casa e dos bolos fritos da minha mãe, saboreados ao redor do fogão à lenha. Quem diz que nunca sentiu isso é por que não foi feliz ou nunca teve infância. Já nasceste adulto?! Duvido.
Lembro claramente que empunhava um violão gigantesco e dedilhava alguma coisa, mesmo não sabendo tocar nada. Mal conseguia segurá-lo. Até hoje não consigo entender como conseguia tirar uma melodia daquele imenso violão, sem saber absolutamente nada de música. Isto acontecia por puro instinto. Vez em quando ainda dedilho a mesmíssima melodia. E ela me traz uma paz tão grande que se compara somente às palavras de minha doce mãe. Tinha sonhos que hoje eu compreendo que deveriam ser apenas sonho e nada mais. Mas foram meus e guardo como a mais preciosa jóia.
Tudo muda e eu espero ansioso pelas mudanças como um guri espera pelo presente de Natal. Muita coisa boa acaba ficando para trás e só peço que Deus nos abençoe e continue nos proporcionando algo de novo todos os dias, que é para que daqui 30 ou 40 anos eu sinta saudades do dia de hoje e lembre claramente desta imagem: eu sentado em frente ao computador, assistindo um dvd de kleiton & kledir numa noite chuvosa em Passo Fundo.
Muita coisa coisa boa vai ficando para trás e o dia de hoje amanhã será passado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

De que vale???

De que vale a vida se não estamos perto de quem amamos? De que vale um bom emprego, um bom carro, uma boa casa, dinheiro pra gastar, ... ??? De que vale?
Todo mundo tem sonhos. Na maioria das vezes sonhamos com algo material. Isso se torna cada dia mais normal. Sonhar com algo material é uma ilusão completamente desvirtuada de felicidade. Talvez isto sirva pra esconder uma infelicidade ou até mesmo uma carência de afeto. Não é nada difícil você se deparar, no dia a dia, com pessoas carentes de afeto. O afeto está ali. Ele não é oferecido. Ele está ao seu alcance. Basta você pegá-lo e fazer um bom proveito dele. A grande dificuldade é perceber onde ele está e saber qual é a melhor forma de recebê-lo. Somos peritos em descartar afeto. É uma característica cruel do ser humano.
Nasci no dia 29 de agosto de 1981. Num dia frio de renguear cusco. No hospital de Boqueirão do Leão, minha terra (o afeto que tenho por este lugar é incomparável). Quando nasci, imediatamente recebi a mais generosa das doses de afeto que um ser humano pode dar. O afeto de uma mãe pelo filho. A expectativa era grande por ela ser hipertensa. Era uma gravidez de risco. Naquele momento crucial, a vida dela estava em perigo. A minha também. Mesmo com tudo isto, seu afeto acaba se impregnando no meu subconsciente de forma que todas às vezes que me deparo com uma situação de dificuldade, ele age. E age com a eficácia de um felino em caça.
Logo após, recebi o afeto de meu pai, meu irmão, padrinhos, amigos e amigas. Sabe por que recebi? Não tinha como não receber. Bebês não negam. Eles são muito mais inteligentes que os adultos. Adultos negam, repudiam e se escondem pra não receber afeto. Os pequenos recebem e criam sua personalidade baseada no que recebem. Afinal eles não tem o poder de escolha. O grande problema é o poder de escolha. Se agirmos por instinto e deixarmos um pouco da razão de lado, fica tudo mais fácil, mais dócil e mais intenso. Temos dado muita moral à razão e esquecemos de que temos um coração que age por puro instinto.
O afeto que recebo todas as vezes que vou pra casa de meus pais é algo indescritível. Quando piso na minha terra percebo cada vez mais que lá é meu lugar.
Sonho em ter uma grande casa na praia pra receber os amigos. Sonho em ter carro e dinheiro pra viajar sempre que sentir vontade. De que adianta ter uma bela casa se não terei verdadeiros amigos para compartilhar dela? Uma boa festa, jantar e um bom chimarrão o qual tanto aprecio?! Quando digo verdadeiro digo "meus velhos amigos".
Um verdadeiro amigo é aquele que sabe o que você pensa mesmo sem que fale a ele. É aquele que talvez tenha crescido contigo e que vá morrer em contato. É aquele que não precisa que digas que o ama. Somente sinta. É ele que sabe quem tu és.
Hoje tive uma sensação estranha. O medo de perder um verdadeiro amigo. Mesmo sabendo que a possibilidade de perdê-lo era remota, por instantes tive este medo. E como foi ruim imaginar que a vida nos prega peças e que de repente, por razão do destino, você deixaria de conviver ou de ter por perto alguém tão importante. Mesmo que o contato não seja diário, semanal e tal. O medo da perda assola o pensamento e causa um pânico.
Valorize o afeto.

um salve pro cocão da xurupita...